Sou só um bobo apaixonado, e eu nem tenho corte. Minha rainha não ri e o meu rei não me paga. Mas eu ainda sou um bobo. Um bobo sem graça.
Eu sou poeta, você não pode me curar
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terça-feira, 15 de setembro de 2015
O toque
O toque dele é meu sangue em endorfina, ocitocina e o cortisol explodindo e sumindo,avisando que vou me inflamar. Avisa à ele, amigo, que ele é inflamável, que eu sou o fósforo. Depois que queima ele seca, e eu torro.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
JESSEJEITO
O sol não volta amanhã sem você por perto.
Vivo com saudade das promessas de um novo dia : "te vejo amanhã". Espero ouvir tua voz, a cada vez que vejo o vazio do céu, refletindo tua falta dentro de mim. Sem luz para dar esperança, que amanhã terei outra chance de sentir tua paz, aquela que só você dá, aquilo que só você faz, do jeito que é.
Vivo com saudade das promessas de um novo dia : "te vejo amanhã". Espero ouvir tua voz, a cada vez que vejo o vazio do céu, refletindo tua falta dentro de mim. Sem luz para dar esperança, que amanhã terei outra chance de sentir tua paz, aquela que só você dá, aquilo que só você faz, do jeito que é.
Queda
Queda livre.
Caí num declínio constante de esperança e paz, onde só o vazio era encontrado. Sem problema, já que ninguém me procurava.
Eram noites e madrugadas, lágrimas e cabeças atormentadas.
O sono batia na porta, mas não entrava. Procurei saída, mas não encontrava.
E se saída não houver ?
Se caminhada me obrigasse a enfrentar o que vier ?
Desisti.
Deitei-me nos braços do travesseiro, cobri meu corpo de encontro a cama, e esperei que chegasse o dia, para novamente fugir do problema. Como é mesmo que dizem ? "nada como um dia após o outro".
Caí num declínio constante de esperança e paz, onde só o vazio era encontrado. Sem problema, já que ninguém me procurava.
Eram noites e madrugadas, lágrimas e cabeças atormentadas.
O sono batia na porta, mas não entrava. Procurei saída, mas não encontrava.
E se saída não houver ?
Se caminhada me obrigasse a enfrentar o que vier ?
Desisti.
Deitei-me nos braços do travesseiro, cobri meu corpo de encontro a cama, e esperei que chegasse o dia, para novamente fugir do problema. Como é mesmo que dizem ? "nada como um dia após o outro".
Cardápio
Então eu faria o meu pedido : Um prato cheio de você. E não precisa vir de bandeja, ou de mão beijada. Com a fome que eu tô, eu mesmo vou te buscar. Não importa se for longe, não importa se for caro. Não há preço ou distância que me impeça de degustá-lo.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Invernei
“Era um dia ensolarado e incomum pra um inverno. Tudo parecia sorrir, parecia verão, as pessoas estavam excessivamente felizes. Mas eu não estava. Mesmo com todo aquele calor, eu me sentia fria, por segurar em minhas mãos, as mãos frias e pesadas de um corpo abandonado pela vida. A frieza daquelas mãos me traziam dor. Doía tanto, que a dor me escorria pelos olhos como gotas de chuva durante a tempestade. Eram gotas pesadas de solidão. Solidão essa que chegou com a partida do sorriso que me fazia querer viver. Eu jamais veria aquele sorriso novamente. Sobraram suas mãos frias. Seus olhos abertos. E seu corpo pesado.
A morte não é ruim pra quem morre. A morte é ruim pra quem vive. E eu não deixaria que a morte me fizesse mal.
Levantei-me do sofá branco da sala branca e gélida do hospital. Tudo parecia frio. Abri as janelas. O sol invadiu o quarto. Eu deveria sentir calor? O vento quente atravessava meu copo como se nada ali existisse. E realmente não existia. Não mais. Abri meus braços, e mergulhei dentro da minha dor, dentro da minha falta sua. O vento ficou forte e abafado. Não conseguia respirar. Via o céu se afastando. Meu cabelo voando. Eu estava voando. Diretamente pra onde ela estava. Pro nada. Deixei-me cair. E nunca mais levantei.”
Espetáculo
Eu vi o prédio alto, cinza, cheio de janelas abertas com as pessoas debruçadas olhando para cima, uma pequena multidão aglomerou-se ao pé do edifício, reunida como se um espetáculo estivesse acontecendo no último andar daquele arranha-céu.
Aproximando da multidão, resolvi olhar para cima e conferir se o espetáculo valia toda aquela atenção. Depois de me acostumar com a iluminação aguda daquele sol de meio dia de uma segunda feira, eu te vi. Você estava com aquele vestido bege que adorava, ele voava contra o vento abafado que rolava no teto, no topo que agora era o chão em que você pisava. Não sei bem qual foi a reação que tive, mas naquele momento, olhando para você eu senti medo, senti dor, quis voar e agarrar você pra que não cometesse aquele literal suicídio. Mas eu não poderia, mesmo que quisesse, chegar a tempo de segurar você. Então eu gritei. Gritei seu nome como se estivesse em outra dimensão. Gritei da forma mais alta que só a dor pode fazer uma pessoa gritar. Todos pararam. Olharam para aquela pessoa aos prantos que acabara de berrar. Você saiu do transe em que estava, provavelmente ditando suas palavras de despedida. Olhou para baixo. Seus lábios diziam em um som que eu não pude escutar "não posso parar, não agora". Diante daquele egoísmo todo, eu não sabia o que poderia fazer pra impedir você de retirar aquilo que eu mais amava, sua existência. Vi um de seus pés levantarem, vi você se inclinar... "se não puder parar por você, porque se ama, pare por mim, pare porque eu te amo. Se você não puder estar aqui, eu não vou querer estar também, e alguém não vai querer estar se eu não estiver. Não comece com o efeito dominó que é a morte". Não sei se você pôde me ouvir. Você ficou cada vez mais perto. Até que ficou tão perto, que se tornou inalcançável.
A(mãe)cer
Nos tiraram aquilo que dizem ser o amor verdadeiro, crescemos sem isso. Embora o fardo carregado por nossas costas cansadas e nossos olhos inchados nunca tenha nos deixado, nos tornamos pessoas com muito a dizer, muito a mostrar e muito a ser, porém, fomos lacrados pela dor, e costurados pela boca. Então, assim, só nos restou a caneta, o papel, o teclado e a tela. Pingamos, escorremos, transbordamos. Não vivemos. Apenas duramos.
Sonhou
Vamos supor um tempo em que os dias eram cinzas, e as noites chuvosas. Nesta época, os pensamentos quentes não existiam, reinavam ideias pesadas e congeladas pela preguiça. Os sonhos eram enrolados em mantos e guardados para a volta da luz aquecedora do sol.
Numa manhã qualquer, ela debruçou-se na janela, pensando no que gostaria de receber como presente de aniversário. Observando as nuvens do céu, reparou nos corvos que sobrevoavam o prédio mais alto da cidade, e a forma que o vento tocava suas asas.
Quis voar.
Ouviu a voz dentro de si dizendo "mesmo que fosse por alguns segundos, preciso sentir aquele vento tocando meu corpo, mesmo que por uma única vez".
Pensou em hipóteses.
Saudade
Saudade
de quando tuas mãos percorriam as ruas do meu corpo
do toque delas na pele quente
que desejava retribuir o carinho a cada esquina dobrada
do ar incessante que saia de tua boca
embaçando os espelhos e me deixando louca
do som que me provocava
e das expressões no rosto que ao me ouvir formava
e me amava
como se nada mais no mundo importasse
era como se o tempo parasse pra gente se amar
mas não parou
e mais uma vez você me deixou saudade
e aquela vontade jamais passou.
De casa
Entre as portas de casa há dois caminhos,
o de dentro e o de fora. Um guia-me para dentro,
tão conhecido e acostumado com o lugar,
o cheiro e o andar da vida naquele lado, que
apesar dos móveis fora do lugar ainda é
aconchegante já que por lá eu sei caminhar.
Do outro, temos um mundo novo, novos ares,
um chão nunca pisado, mas que parece bem confiável,
um lugar desconhecido porém convidativo que agrada a
vontade de mudança e de esperança pra uma vida melhor.
Arriscar? E se após que eu passar a porta se trancar e eu não
puder retornar ? Mas e se eu ficar? Será que conseguirei conviver
com a curiosidade de saber como é do lado de lá? Será que ficar
por aqui me fará mais feliz que conhecer novos caminhos?
Entre o medo e a curiosidade, eu saio e deixo meu chinelo
segurando a porta. Prometo que na primeira vez que eu
tropeçar pelo novo caminho, eu volto correndo, me calço
e me tranco em você.
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